terça-feira, 7 de setembro de 2010
Ano 5 . Nº 68 . Setembro 2010 - Edição Especial: Álvares de Azevedo
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Ano 5 . Nº 67 . Agosto 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Ano 5 . Nº 66 . Julho 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Ano 5 . Nº 65 . Junho 2010
SOBRE A VERDADE ESCONDIDA
Sobre a verdade do nunca.
Do errado.
do surdo
p
o
e
m
a
.
Eu sou a metade do fim.
O medo coerente de Ser.
Sobre a verdade do possível.
Do inesperado.
do confuso
v
e
r
s
o
g
ó
t
i
c
o
.
Suelen Romancini
As falácias se escondiam nos becos virtuais.
Excedeu-se em combustão
como uma bolha de ar em meio à água fervilhante.
o recipiente em vazio.
Despiu-se em açucares.
Amargamente andou, virou-se com um fluido.
O elixir voltou-se em si,
eram movimentos infames.
Descreveu-se, em momento de puras repartições triangulares.
Ora, as formas se desfaziam em soberbas lineares.
O conto permanecia, seu carma era conter-se.
As letras foram substituídas por abstrações.
Reflexo do autor, em instantes encadeia.
Uma complicação de histórias,
e em parco exercia o uso de texturas.
Brenda Nurmi
AURORA
Um dia, fui abandonada pela felicidade.
Hoje quem me acompanha é a saudade
Dos tempos que não voltam nunca mais
Pra minha total falta de paz...
Como era doce os tempos de outrora
Em que me alegrava a cada aurora
A certeza de te ver
Satisfazia o meu viver...
Não me incomodava,
A pele sempre marcada
Tinha o coração sempre contente
Mesmo que sangrasse frequentemente
Te ver sorrir acalmava meu peito
Dor que hoje já não tem acalento...
Sei que estas a sofrer
E sofro junto por não ter o que fazer...
FALTA
Juro,
eloquente,
porém ainda vivo
que amei sem medida
que vivi sem moderação.
Onde quer que eu esteja agora
ao ler essas palavras confusas
eu estarei longe
debilitado de razão.
Estarei ausente de mim
por ter esquecido de pensar em nós.
Egoísta, falho, morto.
Estarei longe
debilitado de ti.
Carla DarKness
AINDA EXISTE AMANHÃ?
Dias claros e poéticos
sempre existirão.
E hoje?
Dia
(escuro)
silencioso
fúnebre.
Por ele
perdi a essência
a espera
pelo dia seguinte
Ainda existe amanhã?
Claridade?
(?)
Me acorda
quando
Ainda
não for
hoje.
Vinícius Ruiz
EU
versos rasgados de paixão
letras tingidas de decepções
mesmo assim sou eu
quem escrevo
quem vivo cada segundo
a mais
ou a menos.
Você que nem me ouvi
nem me ler
senti a pancada da palavra
dita?
Do instante gótico
corrompido
pelo falso poema lá fora?
Vivo! E viver é também morrer
todos os dias ou todos os segundos.
Poesia “dark” é toda poesia do inexistente,
Poesia gótica contemporânea:
sou eu (a cada segundo).
O lirismo está na entrelinha,
Ler. Enxerga. Tresler.
domingo, 2 de maio de 2010
Ano 5 . Nº 64 . Maio 2010
INSTANTE
Sorrateira em volta de mim
Circula ameaçadora
a bolha cotidiana de sensações informes
Soando gongos e sinos
Desespero e Angústia tranquilos
marcando dias e horas
Observam a esperar
O abraço do Abismo enlaçar
A alma
pela tua Ausência atormentada.
Naquele dia me vi encontrar
no fundo dos teus olhos calmos
Um instante. Lampejo de paz
Um minuto de ordem universal
Qualquer riso infantil
pra sempre calor infernal
Voz grave puxando o Sol, detrás
das encostas invernadas, terras assombradas
onde jazia meu ser
E mãos fabricaram sorrisos
E os espalharam todos
Pelos caminhos meus
Sem você, então
O badalar soluçante
Silêncio. Sensação sufocante
Gongos e sinos
Ausência constante
Lágrimas. Desatino.
Sem você agora
A tempestade vindo.
Eu indo.
*****
Marcüs Bealmont
ALTER EGO
O olhar escurece, e o ímpeto violento ordena
CAMINOS
Caminos opuestos de regreso otra vez
Juliana Amaral
QUANDO OS ANJOS NÃO CHORAM
Deus, por piedade, dá-me a mão
ergue os meus olhos
cheios de tristeza e insegurança
dá-me um pouco de calma.
Quando eu estiver sozinha
acompanha-me no pranto
na agonia de não saber o que fazer.
Deus, por piedade, dá-me um abraço
porque quando os anjos não choram
uma alma como a minha será feliz.
[G.W.]
FÚRIA
uma agitação por dentro,
uma vontade de enlouquecer.
Bastou um instante
de ausência
para a vontade de jorrar silêncio surgir.
Bastou a certeza da negação
para a fúria tomar contar dos sentidos
e da mão trêmula
surgiu
o susto
o gesto
o grito
o olhar cabisbaixo
a lágrima derradeira
o fim.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Ano 05 . Nº 63 . Abril 2010
LACRADO
Há risos sobre a ferrugem
de um sonho,
Há vidros arranhados por gritos,
de dentro para fora de mim.
Me tornei o lacre do seu silêncio,
me tornei a sua dor interminável.
Hoje sou você à deriva do que ainda não tem nome.
Ainda ouço soluços trancafiados no porão,
sinto uma vontade de possuir liberdade [inexistente].
E foi tentando ser exata
que calculei errado a direção certa,
escolhi não ter mais razão
fechei os olhos,
abracei o vazio mais leve e escuro
e não me permitir mais existir.
Brenda Nurmi
PERDOA
Perdoa,
Minhas mentiras sem fundamento,
Minhas palavras sem sentido,
Minhas inexplicáveis explicações...
Perdoa,
Por te magoar sem perceber,
Por ti iludir junto as minhas ilusões,
Por até duvidar de tuas próprias palavras...
Verdade é,
Que não sou digna se quer de teu perdão!
Te menti, te iludi, te enganei...
Sou vigarista, golpista, ordinária...
Eu sei que errei,
Sinto-me podre por dentro!
Com um peso enorme nas costas,
E não vejo saída!
Enfim choro,
Pelo desastre que causei,
Pelo perdão que não alcançarei,
Pelo desejo findo ao qual me eternizei...
Marcüs Bealmont
IN ALBIS
Mar aberto para os sonhos, fantasias
Eviston C. D. Gomes
UM BANHO QUENTE
A água corre
Por meu corpo percorre
Minha pele reclama
Quente, calor e queima
Por fora, quente. Queimo.
Por dentro, frio. Queimo.
Exterior nada comparado ao interior.
Cada batida de duvida
Meu coração vai parando
A fera fria do arrependimento dilacera.
Minha mente.
Sorte seria a minha, se a água esquenta se meu interior,
como queima o esterno.
Mas a única coisa que poderia acalmar a fera ou reviver meu coração
Seria o perdão de uma única pessoa.
Gabrielle Fonseca
Fúnebre lembrança
Nenhuma palavra pronunciarei
nenhuma imagem deve ser lembrada
nenhuma lágrima aproximará dos meus olhos
ao menos, desejo em devaneio,
ao menos que me digas que fora um sonho.
Ao menos que me digas que fora um engano.
Diz! Olha-me ainda sonolento,
balbucia alguma sílaba viva,
cancela meu desespero.
Diz que ainda estás comigo.
Fúnebre lembrança terei
se teus olhos não mais brilharem,
se teus lábios não mais ornamentarem um sorriso.
Ainda sangro por dentro,
saberei algum dia
viver sem a tua presença?
Ao menos nos meus sonhos
eu sei que sempre estarás.
Suelen Romancini
DESFECHO
O palpitar do peito em suas abstrações suaves
Enrijeci minhas lamúrias neste alavancar de dilatações atemporais
Ele balbuciava o soneto em indolência
Ela por sua vez o ouvia em relutância, seus espasmos
Emanou por seu rosto a ponta dos dedos
E pelo obscuro dele ela era tão amante
Não por aquele corpo andante
Mas pelos desfiladeiros que aquela mente se opunha
A misericórdia desbotada assumia a argamassa
Bucólicos suspiros eternizavam o ar
Denotações de um personagem surreal emergiam pelas entrelinhas
O pecado decorrente em cada inusitado amargar
Demasiaram suas páginas em delgadas curvas
Cutucou o rosto sobressalente e febril
Inquietou em nuas insinuações
Deslaçou suas hemácias em sinuosos pulsares
Piedade em um corte carne à dentro
O poço mitigava a demência.
terça-feira, 2 de março de 2010
Ano 5 . Nº 62 . Março 2010
PRIMA FACIE
Campos de fogo relampejam silentes
SOU UMA POESIA VIVA
Fragmentos soltos, desmontados.
Vontade de voar, de se desprender.
Vou colhendo dores,
sussurros alheios, desejos enferrujados.
Tento existir sem causar danos maiores
escrevo versos recheados de segredos.
Sou uma poesia viva
lapidada de acasos.
Sou seu passatempo,
sua menor lembrança,
seu silêncio constante.
Fragmentos soltos, desmontados.
Tento existir
sem causar danos maiores a você.
Fernanda de Castro
FACES AMEDRONTADAS
Era terror
era o medo de si mesmo
era a outra face diante do espelho.
Éramos duas,
dois modos diferentes de Ser.
A máscara sobre a pele
sentimento que nunca fora pronunciado.
Ela desejava morrer,
mas a coragem fugia-lhe entre os dedos trêmulos
o recio escorria-lhe das mãos.
Era a minha vez de responder
de sobreviver ao tumulto interno.
Éramos faces amedrontadas
em um único instante de tempo.
Éramos dois modos diferentes de viver.
YO Y NADIE
No más gritos
No más temores
Justo todo lo que me hace llorar
¿Quiere que su comodidad
Su mano abierta
Su abrazo que me saluda
¿Quieres venir esta noche?
Y la muerte está aquí
en busca de un espacio vacío en mí.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Ano 5 . Nº 61 . Fevereiro 2010
TÉDIO
Sobre brasas de amargura,
sobre navalhas não mais afiadas,
eu, somente eu, me submeto ao tédio.
Revestia inutilmente meus dias com alegrias contidas de ontem,
costurava silêncio sobre os lábios.
Tentava ser uma teia de ilusão,
queria ser um instante de qualquer lembrança.
Sobre amores inúteis,
sobre poesias velhas,
eu, somente eu, me submetia ao tédio.
Dançava fora do ritmo,
sorria sem vontade,
chorava por distração.
Sobre mãos rígidas,
sobre olhos avermelhados,
eu, somente eu, me escondia do tédio diário.
Suelen Romancini
LAPSO
Ela estava seca, o corpo gelado.
O que havia de sangue esvaeceu.
Eram pupilas escuras, seus olhos.
Enraizou as unhas entre a carne esperada.
De lábios desérticos, roupas em águas.
O contorno do queixo movia por sobre as extremidades dos ombros.
Braços firmes e pernas enlaçadas.
Desprendia-se em suor.
A ordem dos fios se ia, misturava e eclodia.
O cheiro lhe ardia os sentidos e confundia suas regras ou razões.
Morriam seus limites eles desciam por suas vertentes.
Tânia Bueno Rocha
ALGOZ
Medos e verdades escondidas,
no profundo de cada olhar.
Ao notar que poderão ser despidas,
mais ainda se fazem ocultar.
Medos e forças estranhas,
que nunca se poderão confessar.
Em busca de uma felicidade tamanha,
colocam-se na alma dançar.
Como um algoz tortura sua presa,
o medo e a solidão.
Aprisionam a sociedade indefesa,
que se escondem a baixo do chão.
E pra onde se pode fugir,
se o carrasco está em todo lugar.
Verdades ainda vão persistir,
em perigos nos acorrentar.
Medos e verdades obscuras,
que os olhos mortais não verão.
Sinceramente procuram,
refúgios da solidão.
E quanto mais tudo muda,
o medo ainda está.
Dentro da alma mais pura.
E seu espírito a dominar.
Como poso então me livrar,
do medo que se apoderou?
Das minhas palavras ao ar,
que ninguém jamais escutou.
Marcüs Beaulmont
RATIO ESSENDI
Brenda Nurmi
LÁGRIMAS MÓRBIDAS
Na janela há alguém olhando para a lua,
Lágrimas mórbidas em um anoitecer cinzento...
Sorrisos falsos, tentando esconder a tristeza.
Um único ser solitário, que grita em silêncio.
Na noite fria e sem vida,
Quando todos já adormecem...
Lembranças que vem e que vão,
Saudade que chama e o peito que chora...
O coração sofre calado...
Luzes iluminam a estrada,
Os carros passam correndo...
As esperanças se perderam,
Só lhe resta o sofrimento...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Ano 5 . Nº 60 . Janeiro 2010
Suelen Romancini
Irei afagar suas veias quentes.
Emaranhar seu sussurro inverso.
Dar-lhe o sopro ao vento de vertigens.
Correrei com meus dedos pela fina superfície de sua derme,
fria e desconcertante.
Recitarei o silêncio no caos de sua mente montanhosa.
Jogando o talvez em seus cantos escuros.
condensando teu corpo em condenadas sinfonias.
Maestro, tão somente polido teu lampejar.
Nas camadas mal distribuídas de minhas facetas,
o grito entorpecente.
Incômodo restringido ao vão buraco.
Depreciou pelo tempo suas histórias.
Os vales se tornaram cinza e carnificina.
A torrente de gelo se desfez.
Compelido o perolado em fosco marfim.
A nudez de seus vestígios, memórias tão bem conservadas.
Ossos quebrados se indo ao movimento do rio.
O oceano em sua solidão insanamente preenchido de sons azuis.
E o vácuo! Inundei-me e me desfiz na imensidão de palavras tão soltas.
Eram os restos que aninhava desesperadamente.
Era o diálogo mudo e a falta do início compreensível, mas lastimável.
ESVAIR
Pedro H. Florêncio
É quando tudo em que acreditamos se esvai
'' CONFISSÃO”
Brenda Nurmi
Talvez eu seja a verdadeira escuridão,
Trazendo a dor e a agonia para o meu mundo...
Debulhando-me em lágrimas,
Sofrendo nas profundezas de minha alma
Vivendo minha triste e pura solidão...
Eu escolhi este destino,
Eu acreditei no mais lindo sonho que já sonhei,
Foi tudo tão sublime, tão perfeito,
Foram tantas esperanças, tantas vontades ainda não saciadas...
A ilusão me dominou e eu se quer percebi...
Onde esta você?
Por que sempre te vejo tão longe de mim?
O que realmente quer me dizer quando olha em meus olhos?
Pra onde anseias me levar?
Qual é o teu desejo?...
Se eu ao menos fosse digna de resposta...
Se meu alvo recusasse a se calar...
Eis que tenho uma força repentina
Uma luz que vem, me ilumina e some.
Deixando apenas a cede de não mais viver em um mundo de sombras...
Mundo, mundo,
Vasto mundo.
Um dia me disseram o tamanho de tua vastidão
E na estupidez de uma vida quase perfeita, ignorei...
Você me da algo que eu não tinha,
Mas de que serve sem a certeza?
Meu coração está preso novamente
É real a dor que sinto
Eu confio e confesso...
Não sei o que é, mas posso jurar que é real...
SINE DIE
Sem dia, hora, momento exato
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Ano 5 . Nº 59 . Dezembro 2009
Hed Tácylo
A beleza já não é o suficiente,
A transparência serve de maquiagem para a sela indestrutível,
Quero me libertar desta prisão invejável. Estou preso por vontade.
As mordaças de seda dourada tapam minha voz,
morro a cada segundo.
Doce veneno em minhas veias, o beijo noturno da morte é letal,
Como posso escapar da prisão construída por mim?
Apenas a morte me libertará, não há maneira de libertar-se
do destino modificado por vontade.
Único caminho a seguir, não a outro destino.
não há mais ar nos pulmões.
Mas não esquecem o brilho do sarcófago de cristal inviolável.
Medo de mim
Karen Lisboa
Percorro teu corpo em pensamento
Desejo você ao meu lado
Suporto tua ausência como um sacrifício cruel.
Quando tua boca pronuncia meu nome
eu tenho medo de mim,
Quando teu corpo me abraça
eu tenho medo de mim.
Poesia de sangue escorrendo
versos de um sentimento impossível,
eu morro a cada dia sem você.
Sou uma mão trêmula em busca da tua mão
vago inquieta pela sombra do teu pensamento,
como uma folha seca arrastada pelo vento.
Nunca
Marcelo Garcia
Nunca arisquei me perder de vez
nunca fui ágil o suficiente para deter meu grito insano.
Nunca fui eu.
Revestido de sentimentos anulados
eu quero um instante sem mim
sem me pertencer.
Quero dor, quero silêncio,
quero estar vazio de mim.
Nunca me dei por inteiro
Nunca fui eu.
Agora percorro estradas escuras
caminho por trechos sem saída
tento fugir do que restou de mim.
Razão do meu viver...
Brenda Nurmi
Uma Voce
Tua voz me ilumina, me sacia
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Ano 5 . Nº 58 . Novembro 2009 – Edição de Aniversário
[RR Junho 2009 – 57 votos]
Inclinar-se
Carol_gótica
Ao som do piano frio
ao leve e lírico entardece
eu me esgotei
larguei sem vestígios meus fios de silêncio.
Cobri, sem força, minha coragem de covardia
joguei fora minha vontade
e me inclinei,
como quem se joga para o fim do precipício.
Eu me esvaziei,
gritei, sem razão para me salvar.
Larguei-me como quem se despede de alguém valioso.
Eu desisti,
Inclinei-me para cair no esquecimento:
primeiro veio o clarão depois a escuridão.
Quem me perdoará?
•••••
[RR Março 2009 – 54 votos]
Silêncio coberto de vermelho
Juliana Amaral
Gritos, lágrimas, medos
por onde recomeçar?
Sonhos, lembranças, tragédias
Por que recuar?
Paredes machadas de verdades sigilosas,
corredores silenciosos.
Pulso aberto escorrendo covardia.
Existência vazia
procurando o indizível.
Vida aprisionada
a um vermelho silencioso.
Alma coberta de vermelho.
•••••
[RR Janeiro 2009 – 40 votos]
Jennifer Souza da Silva
Cry... in the shadows
Estamos perdidos no mundo
Estamos perdidos nas sombras do mundo...
Tente sentir isso, a estranha força da solidão...
Queimar por dentro todo o ódio...
Não conseguir achar um caminho...
E sumir entre as lágrimas de seu corpo...
Estamos perdidos no mundo...
O que sentimos, afinal, senão agonia?
Não poder caminhar por entre os caminhos do destino...
Sem luz pra guiar nossos passos...
Sem forças pra ter um destino...
Estamos perdidos no mundo...
Há algo no ar que me abraça...
Há algo nas sombras que envolvem-me...
Há algo em seus olhos que me seduz...
E tudo que me fazia viver foi-se embora...
Com o vento...
Estamos perdidos no mundo
Estamos perdidos nas sombras do mundo...
•••••
[RR Fevereiro 2009 – 38 votos]
Elara (soneto 9)
Marcüs Beaulmont
Batia o coração como martelo na ferida
E a dor enamorada da morte cantava
Lírica e voraz, orgulhosa, imolava
Dentro da realidade de liberdade arrependida
Demônios invadiram os Jardins Suspensos
Decapitando imagens santas de ouro
Lágrimas do céu...triste tesouro
Legiões dilaceravam arcanjos imensos
Como granizo caia o furor maldito
Chuva ácida cortante e cruel
Corroendo fibras de coragem cega
O inferno se abre em evocação e rito
Em chamas de caos os campos do céu
Estéreis, a vida se lhe renega...
•••••
[RR Março 2009 – 35 votos]
A terça parte do infinito
Mozileide Neri
O vento da janela de trás
trás consigo a carga
o silêncio em brasa
a casa vazia de tudo
e cheia do nada
o nada que restou, agora é cinza
poeira sobre os vidros cegos.
O vento da Janela de trás
e eu o senti, como uma brisa
acariciando meu rosto
torto, prestes a cair.
•••••
[RR Fevereiro 2009 – 34 votos]
Cerrando los ojos
Aimée Lejeune
Te visto con la mirada que hasta hace poco emprendía
por rumbos y fantasías ajenos a tu permiso
que intrusa y sin previo aviso por tus rincones andaba
volaba mordía besaba donde le produjo y quiso
Te visto con la mirada para que mires mis ojos
y en ellos no haya el destello de cuánto te imaginaban
ni curven hacia tus curvas ni emprendan en otro antojo
de verte más que los ojos hasta dejarte sin nada
Desnuda sin nada encima te vuelvo a mirar distante
y tu sin saber caminas como si fueses vestida
mas quieras o no, mi vida, sin serlo has sido mi amante
Y yo del deseo errante navego hacia la deriva
por ríos que me proponen en otro mar olvidarte
mas siempre vuelvo a tu orilla donde naufraga mi vida
Dos amantes cruzan miradas por una calle cualquiera
por un súbito segundo Al mismo tiempo miran
en distintas direcciones como si no se hubiesen
percatado jamás de la presencia del otro
Irónico más allá de la historia que llevan escrita
tienen el amor como un nudo en la garganta la mirada
fingiendo no haber visto aquello que ve aún cerrando los ojos
Ni río sin que mis lágrimas corran dentro
ni puedo respirar sin que duela el alma
no logro convertir la tormenta en calma
ni puedo soportar lo que ahora siento
Difícil es vivir cuando muere al alba
casi antes de nacer algún día nuevo
difícil no morir en la madrugada
ante las puñaladas de los recuerdos
Aquí sólo me siento cual me he sentido
ya tantas otra veces que me han herido
mas me pregunto ahora si estoy vivo.
•••••
[RR Outubro 2009 – 29 votos]
Brenda Nurmi
Estar com você
Dois mundos completamente diferentes
Duas vidas que se atraem e não sabem explicar
A força de um olhar triste e profundo
Que me toca sem notar, sem pensar...
Sabe, pode ser muito cedo,
mas já é tarde de mais pra te esquecer...
Eu quero estar com você
Ser a única que está em seus braços...
Olhar pra lua e ter certeza de que é
A mesma lua que te ilumina...
São tantas coisas na minha mente
E eu não sei o que realmente eu devo te dizer...
Eu nunca me senti desse jeito antes,
Eu nunca tive ninguém como você
E nunca me senti tão certa do que faço...
Ta sendo mais do que uma simples paixão
Não tem nada melhor do que estar do teu lado
Sei que poço me machucar,
Mas se não te dizer o que sinto
Que importância fará tudo isso guardado dentro de mim?
•••••
[RR Agosto 2009 – 28 votos]
The Books
Glenda Way Kaulitz
Os livros são os únicos que não irão trair-te.
São os únicos que te ouvem em silêncio,
São os que acolhem tuas lágrimas,
e que pouco a pouco, dão sentido a tua vida sem graça.
Quando você mergulha dentro de uma boa história,
Consegue esquecer do quão ruim anda tua vida.
Não és mais que um poeta solitário.
Nadando em versos mudos costurados.
Nada mais és que tinta sem tela,
Que uma folha de papel sem a caneta,
Nada mais és que um quarto vazio,
de um futuro sombrio.
Mergulha e agarra-te naquele velho romance,
e vive-o outra vez, outrora, já é hora.
Como você o queria para si.
Mas ele não existe.
A vida se resume em poucas linhas,
e a sua, nem sequer dá um bom livro.
As páginas estão riscadas, rasgadas e amassadas,
repleta se coisas que tu anseias esquecer.
Você é um livro, de capa negra e dura,
a capa, são teus negros olhos,
as palavras duras, são teus fortes traços,
o sofrimento, tuas marcas, o fim, tua morte.
•••••
[RR Outubro 2009 – 25 votos]
Julia Hernández
Mi rostro
Mi rostro en el espejo
piezas del espejo
Existo
vacía fuera y dentro de mí.
Mi rostro en el espejo
suelta la risa de la casa de
casa llena de ruinas
y abrasiones.
I, la imagen del espejo
casa fantasma
riendo de mí.
Detrás de las piezas, un rostro,
Yo de fondo,
el secreto de mí.
•••••
[RR Janeiro 2009 – 19 votos]
João Correia
>SEM TÍTULO<
Sou a mortalha de quem fui
Num longínquo passado
Que quero deixar enterrado
Sem uma vela, nem resquícios de luz!
Sou um substrato dum passado
Onde o carbono era mais rijo
E o carvão fazia parte de minha constituição
Assim como hoje faz minha mão.
Não lembro daqueles tempos
Pelo menos finjo que deles me esqueci
Mas no subconsciente de meu sonhos
Vejo coisas que nesta vida nunca vi,
Ouço vozes que me soam familiares,
Vozes que nunca ouvi e não sei distinguir!
Hoje sou filho de mim mesmo
Em meu proscrito passado
Onde fui tudo, de assassino
A reles soldado.
Hoje também sou pai de mim mesmo
Em uma eterna gestação
Onde metamorfoseio-me
Para que num futuro
Quando eu irromper de meu casulo
Eu possa viver sem a aflição
De ser “humano, demasiado humano”
Este conflitante ser de mil facetas
Que não passa de poeira de cometas,
Este ser em eterna gestação!
